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Genealogia Paranaense: disponibilização da obra clássica do genealogista Francisco Negrão (Volume I - Titulo Carrascos dos Reis).

Genealogia do Prof. Ricardo Costa de Oliveira.

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GENEALOGIA PARANAENSE



Titulo Carrascos dos Reis



Iniciamos a publicacção com “Titulo Carrascos dos Reis”, - já em parte publicada na importante obra “Genealogia Paulistana” do Dr. Luiz Gonzaga da Silva Leme, de saudosissima memoria, da qual tivemos a honra de ser assíduos collaboradores em parte relativa aos ramos Paranaenses. A elle devemos grande parte d’este trabalho.

Encontramo-nos no caminho das investigações e caminhamos irmanados em assídua correspondência epistolar, que guardamos com carinho desvanecido.

Prevallecemo-nos no ensejo para manifestar a nossa profunda admiracção e saudade por este illustrado amigo e douto Paulista, que tão assignalados serviços prestou à Historia da Patria.


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A familia Carrascos teve a sua origem, no Paraná, no Capitão Balthazar Carrasco dos Reis, natural de S. Paulo, filhos de Miguel Garcia Carrasco, natural de S. Lucas de Canna Vêrde, tronco da familia d’esse appellido, em S. Paulo e que foi um signatários da acclamacção a Rei do Brasil, em 1641, de Amador Bueno da Ribeira, promovida pelos fidalgos hespanhóis. (Genealogia Paulistana do Dr. Silva Leme, volume 6, PP469).

Dada a restauracção de Portugal, pela revolução triunphante, que em 1640 emancipou o velho Reino da dominacção hespanhola, que datava de 1580, procuraram os fidalgos castelhanos proclamar a independencia do Brasil. Para isso promovêram varias reuniões em que se trataram da escolha de um cidadão de prestígio e que pelo o seu valor moral contasse com o apoiou unanime dos brasileiros, para acclamal-o Rei do Brasil.

A escolha recahiu em Amador Bueno da Ribeira, natural de Sevilha, que fiel aos seus juramentos de leal vassalo, ao ter ci6encia do ocorrido, exasperou-se e rumando ao mosteiro da rua de S. Bento, ao passo que os populares o acclamavam “Viva Amador Bueno, nosso Rei”, de espada em punho retrucava elle repetidamente: “Viva D. João IV, nosso rei, pelo qual darei a vida!” Falhara por esta forma o golpe que os seus promotores pretendiam dar contra Portugal e que traria a Independencia do Brasil desde 1641.

Dous dias depois Miguel Garcia Carrasco assignou a solemne acclamacção de D. João IV, de que se fez auto em S. Paulo a 3 de Abril de 1641. Miguel Garcia em 1638 requereu a concessão de uma sesmaria para si e seus filhos Balthazar Carrasco dos Reis e Martim Carrasco, alegando perante o Govêrnador de S. Vicente, que elles ajudaram nas guerras da Capitania.

O Dr. Luiz Gonzaga da Silva Leme, na sua preciosa - “Genealogia Paulistana” - dá Miguel Garcia Carrasco, como natural de S. Lucas de Canna Vêrde e n´uma carta em


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resposta a que lhe dirigimos, salientando a estranheza que tivemos relativamente ao appellido - Carrascos - cuja origem procurávamos conhecer, diz o mesmo provir do logar de origem da familia em - Carrascal - (matto pequeno) na Hespanha. Sem querermos negar a origem hespanhola dos Carrascos, devemos contudo declarar que acreditamos provir a alcunha da moradia, talvez transitória, em - Carrascos -, conselho de Pombal, - Portugal.

A affinidade de idéas e as intimas relações de amizade desta familia com os fidalgos hespanhóis que promovêram a acclamacção de Amador Bueno em 1640, são provas seguras da descendência hespanhola della, pois não se comprehende que no próprio anno em que Portugal rompia as cadeias que o ligavam ao jugo Castelhiano, proclamando sua independencia politica, viessem portuguezes se alliar aos inimigos de sua Patria, conhecendo-se a intensidade do patriotismo lusitano.

Capitão Balthazar Carrasco era filho de Margarida Fernandes, primeira mulher de seu pae, fallecida em S. Paulo em 1629. Neto, pela parte matterna, de Balthazar Gonçalves Malio e sua mulher Leronyma Fernandes, fallecida em 1630; por esta, bisneto de André Fernandes, fallecido em 1588 e sua mulher Maria Paes, fallecida em 1616. Já em 1645 tinha o Capitão Balthazar Carrasco Dos Reis feito entrada no sertão onde aprisionou muitos índios que administrou; era casado em Parnahyba com Isabel Antunes da Silva, filha de João da Pinha, natural de Itanhaen, e de Domingas Antunes, de S. Paulo; neta pelo lado paterno de Braz da Pinha e de sua mulher Izabel Lopes; neto pela parte matterna de Bartholomeu Rodrigues, fallecido com testamento, em S. Paulo em 1610 e de sua mulher Maria Lucas; por esta, bisneta de Gaspar Fernandes, fallecido em 1600 e de sua mulher Domingas Antunes; por esta tetraneta de Antonio Preto, natural de Portugal, que veiu para S. Vicente em 1562, e que depois de havêr prestado grandes serviços voltou à Portugal d’onde trouxe sua mulher e filhos: João Preto, Manoel Preto, José Sebastião, Innocencio Preto e Domingas Antunes.

Antonio Preto era da nobreza provada, sendo as suas armas de familia “esquarteladas, o primeiro e o quarto composto


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de seis palas de ouro azul, o segundo e terceiro xadrezado de ouro e azul de seis peças em faxa e outras seis em pala. Elmo de prata aberto, guarnecido de ouro, paquife de metaes e cores de armas; timbre, um braço nú de negro, com um bastão de ouro na mão”.

O Capitão Balthazar Carrasco residiu por muitos annos em a Villa de Parnahyba, onde foi juiz de Ofãos, mudando-se em meados do século XVII para Curityba com sua familia onde foi um dos povoadores como se vêrifica da carta de Sesmaria que a seu pedido lhe foi passada pelo Capitão - Mor Govêrnador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benavides, em data de 29 de Junho de 1661, como abaixo se vê:


CARTA

Salvador Correia de Sá e Benavides, Capitão - Mor Govêrnador do Rio de Janeiro, com poderes jurysdição e alçada na Repartições do Sul e Capitanias dellas, Almirante das ditas Repartições, Administrador das Minas de S. Paulo, etc. Em nome de Sua Magestade, que Deus guarde:

Aos que a presente minha carta de sesmaria de terras e Mattos maninhos virem e conhecimento dellas lhe pertencer: faço saber que attendendo aos serviços allegados em sua petição retro, pelo Capitão Balthazar Carrasco do Reys, que tem ajudado nas guerras da capitania com sua pessoa e seus administrados nos vario ataques a que os inimigos............ tendendo que há alguns annos reside com familia na paragem chamada Mariguy nos campos do novo povo de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais..............................................

Hei por bem de lhe dar as terras que pede na sua petição, partindo do Rio Mariguy, onde tem sua fazenda, a começar onde acabam as terras de Matheus Leme fazendo meia legua de testada por uma legua de sertão, ressalvados direitos de terceiros ....................... com suas aguas e bebedores.....................entradas .................. doacção ........................ sem pagarem.................................... sómente dízimos a Deus Nosso Senhor....................................

Dada n´esta ..................... de Janeir ....................aos 29 de Junho de 1661. - Salvador Corrêa de Sá, G.r.


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Notamos n´esta carta de sesmaria, a circunstância de que já se achando creada a Justiça de Paranaguá, e sendo o Capitão - Mor Gabriel de Lara, Logar- Tenente e sismeiro do donatário, o Marquez de Cascaes, na Capitania de Paranaguá e todo o seu termo, e que tendo elle a exclusiva competência de dar as terras em sesmaria, aos que a quisessem cultivar, viesse o Capitão -Mor Govêrnador do Rio de Janeiro conceder sesmaria de terras em Curityba. Teria Salvador Corrêa de Sá e Benavides poderes, em 1661, para conceder essas terras em nome de Sua Majestade, sabendo-se que pertenciam ao Marquez de Cascaes? É uma facto a elucidar. Seria devido a confusão dos direitos dos Donatários das Capitanias, de S. Vicente e de S. Amaro, na parte das 40 leguas ao sul d e Cananéia?

Salvador Correia de Sá, em começos de 1661, visitou a Capitania , onde veiu “avêriguar da Minas de Paranaguá” e se demorou, pois - “não quis vir-me sem findar o intento para com o desengano dellas fazer aviso a Vossa Majestade”, conforme Carta que a 10 de Abril de 1661, datada do Rio de Janeiro, dirigiu à Sua Majestade. Teria subido a Serra do mar, chegando à Curityba aonde se iniciava a povoacção e o serviço das Minas?

Talvez assim fosse, e n’esse caso, provavelmente aqui tivesse feito relações com Balthazar Carrasco dos Reis, homem cheio de serviços à Patria, não só na defesa de Santos, dos ataques dos inimigo, como tambem como Bandeirante d’estemido, ao lado de seu pae, irmãos e filhos.

O Capitão Balthazar Carrasco em seu testamento feito em Curityba a 22 de Julho de 1697, e aberto a 8 de Outubro d’esse mesmo anno, por occasião de sua morte, declarou entre outras coisas mais, que “quero que levando-me Deus, seja meu corpo enterrado de fronte do altar de N. Senhora de Guadalupe, na sepultura de minha mulher, na Igreja Matriz desta Villa e me acompanhará o Vigario com os sacerdotes que se acharem, com todas as cruzes das confrarias que houvêr na dita Matriz e se lhe dará esmola costumada.

“Declaro que sou natural da Villa de S. Paulo, filho legítimo de Miguel Garcia Carrasco e de sua mulher Margarida Fernandes; que fui


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casado com Izabel Antunes, já defunta e tivemos legitimamente os filhos seguintes: André Fernandes, Gaspar Carrasco dos Reis, Belchior Carrasco, filhas: Margarida Fernandes, Maria Paes, Izabel Garcia, Maria das Neves e Domingas Antunes já defunta, os quaes todos são meus legítimos herdeiros.

“Possuo as seguintes terras: Meia legua de terras no Cubatam, do qual tem a escriptura meu filho André Fernandes; meia legua de terras na borda do Campo, cujo Titulo tem o mesmo meu filho; um sítio em que assisto na paragem de Mariguy, cujas terras houve por sesmaria como da Carta se vê; meia legua de terras no bairro de S. Amaro que parte com as do defunto meu pae na paragem chamada Brimiri (?); deixo mais, que me deu meu sogro, em dote, em Parnahyba umas terras que constam do inventário do meu sogro João de Pinã.

“Declaro que meu filho José Fernandes levou de minha casa dous negros do gentio da terra, os quaes entrarão em sua folha de partilha, declaro mais, que meu filho Belchior Carrasco dos Reis seguiu viagem para o sertão com armas que levou de minha casa e o mais que levou para os seus gastos foi tudo de minha fazenda e dizem, trouxera do sertão três peças das quaes se fará menção em meu inventário. Declaro que deixo algum gado assim vacas como ovelhas, e cavalgaduras, o que tudo declarará meu filho Gaspar porque sua vêrdade desencarrego minha conssciencia pela muita confiança que delle faço e sempre fiz e por assim ser lhe deixo encarregado o cuidado que deve ter na Administracção da Capella de N. Senhora de Declaro que deixo algum gado assim vacas como ovelhas, e cavalgaduras, o que tudo declarará meu filho Gaspar porque sua vêrdade desencarrego minha conssciencia pela muita confiança que delle faço e sempre fiz e por assim ser lhe deixo encarregado o cuidado que deve ter na Administracção da Capella de N. Guadalupe, de que sou Protector, para que o dito, meu filho mande dizer seis missas todos os annos no altar da dita senhora por minha intenção procurando sempre pelo augmento da dita Capella como eu fazia, para o que depois de pago os meus legados deixo o remanescente ao mesmo meu filho para que tenha cuidado da Capella”.

- O testamento foi assignado pelo testador e pelo Capitão-Mor Agostinho de Figueiredo, João Alves Martins, Manoel de Souto, Nicolau de Miranda Franco, Manoel Gomes.

De seu matrimonio teve os seguintes filhos: ( C. O . de Curityba)

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1º André Fernandes dos Reis Capitulo 1º

2º Gaspar Carrasco dos Reis Capitulo 2º

3º Belchior Carrasco dos Reis Capitulo 3º

4º Margarida Fernandes Capitulo 4º

5º Maria Paes Capitulo 5º

6º Izabel Garcia Antunes Capitulo 6º

7º Maria Garcia dos Reis Capitulo 7º

8º Domingas Antunes Capitulo 8º




CAPITULO 1º



1º André Fernandes dos reis, casado com Maria Rodrigues.

Com seu irmão Gaspar Carrasco assignou a 4 de Novembro de 1668 o terno de levantamento do Pelourinho da Villa de Curityba, em cuja govêrnança figuraram.

De seu matrimonio teve, que descobrimos, a filha:

1-1 Izabel Rodrigues - § Único.


§ Único.



1-1 Izabel Rodrigues, casada com Manoel Pereira dos Passos.


CAPITULO 2º



2º Gaspar Carrasco dos Reis, alferes, foi homem da Govêrnança da Villa de Curityba, e seu pae em seu testamento o elogia pela sua vêrdade, pelo que manifesta muita confiança nelle e o deixou como Protector da Capella de Nossa Senhora de Guadalupe, que era um dos Altares da Matriz de Curityba. Era homem abastado, tendo servido de fiador a José Cardoso foi intimado a pagar a ellevada quantia de um conto e cem mil reis.

Era casado com Anna da Silva Leme, filha do Capitão Antonio da Costa Velloso e de sua mulher Anna Maria da Silva; por esta, neta do Capitão Povoador de Curityba Matheus Martins Leme e sua mulher Antonia de Góes. Gaspar Carrasco em 24 de Outubro de 1725


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fizéra doacção por escriptura publica a seu genro o Capitão Salvador Albuquerque, já viuvo de sua filha Izabel Antunes, de umas terras que Albuquerque por sua vez fez doacção a seus sogros de uma fazenda de gado na paragem chamada - “Caapucú”.

Teve os seguintes filhos: (C. O . de Curityba)

1-1 Izabel Antunes da Silva §1º

1-2 Capitão Antonio da Silva Leme §2º

1-3 Francisca Velloso e Silva §3º

1-4 Victoria de Jesus Velloso §4º

1-5 Joanna Leme da Silva §5º

1-6 Maria Velloso §6º

1-7 Farancisco Xavier dos Reis §7º

1-8 Balthazar Velloso e Silva §8º


§1º


1-1 Izabel Antunes da Silva, nascida em 1698 em Curityba, casada com o Capitão Salvador de Albuquerque, natural de S. Paulo, da govêrnança da Villa, homem de grande prestígio e valor. Foi o primeiro juiz de Orphãos trienal de Curityba, logar creado pela reorganisacção administrativa e judicial de 1735. Foi empossado pela Câmara em 1º de Janeiro de 1736, depois de confirmada a elleição pelo Desembargador e Ouvidor Geral da Comarca Manoel dos Santos Lobato. O Capitão Salvador de Albuquerque foi casado em segundas nupcias com Maria do Carmo Valle, filha do Sargento-mor Manoel do Valle Porto e sua mulher Maria de Cacere; casado em terceiras nupcias com Maria Ferreira de Almeida. Era elle filho de Manoel Pacheco de Albuquerque e sua mulher Catharina Moreira Godoy. Falleceu em Paranaguá a 24 de Setembro de 1756 com 70 annos.

Teve (C. O . de Curityba) uma filha única que falleceu ainda creança.


§2º


1-2 Capitão Antonio da Silva Leme, era solteiro e com 55 annos de idade em 1755 quando Falleceu seu pae ( C. O . de Curityba). Pertenceu a govêrnança de Curityba.




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§3º


1-3 Francisca Velloso e Silva, era solteira e com 51 annos de idade em 1755.



§4º


1-4 Vitoria de Jesus Velloso era solteira e com 47 annos de idade em 1755.



§5º


1-5 Joanna Leme da Silva, casada em 1734 em Curityba, com o licenciado José de Albuquerque, fallecido em 1738, irmão do Capitão Salvador de Albuquerque de 1-1 do §1º.

Teve dous filhos:

2-1 Tenente PedroAlexandrino de Albuquerque

2-2 Paulo Moreira de Albuquerque.



§6º


1-6 Maria Velloso, fallecida em 1751, casada com o Sargento-mor José de Faria Paes, fallecido em Sorocaba em 1730.

Teve a filha única: (C.O . de Curityba)

2-1 Ignez de Faria Paes com 7 meses em 1721, recebeu sua herança matterna em 1738; casada com Domingos Cardoso de Leão, fallecido em Curityba a 29 de Janeiro de 1783, filho de Fructuoso de Laya Leão e Anna Siqueira.

Teve os seguintes filhos: (C. O . de Curityba)

3-1 José Cardoso de Leão, com 42 annos em 1783.

3-2 Maria Cardoso Faria, casada a 13 de Fevêreiro de 1759 com Jorge de Souza Pedroso, filho de Manoel de Souza Pedroso, natural de Calhetas, e de Maria Leal Vallença.


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3-3 Antonio Cardoso de Leão, com 38 annos de idade, casado a 9 de outubro de 1775, com o nome de Antonio José Pinheiro, com Maria Cortes de Oliveira filha de Manoel Gomes de Oliveira e de Quiteria de Siqueira Cortes.

3-4 Ignácio Cardoso de Leão com 39 annos de idade.

3-5 João Cardoso de Leão, com 34 annos, casado com Thereza (ou Luiza?) Corrêa Guedes de Britto, fallecida a 8 de Novembro de 1768.

Teve:

4-1 João Cardoso, solteiro.

4-2 Luiza Cardoso, natural de São José dos Pinhais, casada com Ignácio Preto, filho de Lourenço Preto e de Joanna de França, naturaes de S. Paulo.

Teve, que descobrimos: (C. E. Curityba)

5-1 Manoel Preto Bueno, natural de Curityba, casado com Luiza de Chaves filha de João de Chaves Siqueira, natural de Itú e sua mulher Barbara Rodrigues da Cunha, de Curityba.

Teve:

6-1 Pedro Cellestino Bueno, natural de S. José casado em Curityba a 16 de Outubro de 1792 com Mariana Leme de Jesus, filha de Francisco RodriguesBarboza e sua mulher Victoria Rodriguesde França. Neta pela parte paterna de Antonio Rodrigues Coura natural de Couras-Portugal e sua mulher Lucrecia Leme do Rosario, de Guaratinguetá. Neta pela parte matterna de Domingos Gonçalves Padilha e de sua mulher Anna de Mello Coutinho.



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5-2 Antonio de Oliveira Preto, casado a 2 de Maio de 1758 em Tamandua com Izabel RodriguesCoutinho; filha de Domingos Gonçalves Padilha e de sua mulher Anna de Mello Coutinho; neta pela parte paterna de Manoel Gonçalves de Siqueira e de sua mulher Paula Rodrigues de frança, ambos naturaes de Paranaguá; neta pela parte matterna de Francisco Mello Coutinho, natural de S. Paulo e de sua mulher Izabel Luiz Tigre de Curityba.

Teve: (C. E. de Curityba)

6-1 José, nascido em 1772.

6-2 Margarida de Oliveira Bueno, casada em Curityba a 8 de Julho de 1794 com PedroCorrêa Leme natural de Taubaté filho de Salvador Clemente e de sua mulher Ignacia Vieira da Silva; neto pela parte paterna de Salvador Corrêa Leme e sua mulher Leonor da Silva.

4-3 Izabel Cardoso, viuva de João França de Moraes.

4-4 Rosa Maria viuva de Felipe Pereira de Magalhães.

4-5 Maria Cardoso viuva de Manoel Alves Fontes.

4-6 Antonio Cardoso de Leão, com 48 annos de idade em 1768.

4-7 José Nunes Cardoso, solteiro com 46 annos.

4-8 Christóvão da Rosa, casado com 44 annos.


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4-9 Margarida de Oliveira casada com Bernardo Martins Ferreira.


3-6 Manoel Antonio de Siqueira, casado a 10 de Outubro de 1775 com Luiza de Oliveira Cortes, filha de Manoel Gomes de Oliveira, natural de Barcellos e sua mulher Quitéria de Siqueira Cortes.

3-7 Francisco Cardoso com 23 annos.

3-8 Anna Cardoso com 28 annos.

3-9 Francisca Cardoso com 26 annos.

3-10 Angela Cardoso com 178 annos.

3-11 Josepha Cardoso casada com Antonio Gomes.

3-12 Gertrudes Cardoso, com 14 annos.



§7º


1-7 Capitão Francisco Xavier dos Reis, solteiro, com 51 annos em 1755. Em 18 de Junho de 1736 compareceu perante a Câmara municipal de Curityba e declarou que seu pae recebera uma carta do Conde de Sarzedas, communicando que fora ela Francisco Xavier nomeado para o posto de Capitão de Cavallos para a conquista e socorros da Colonia do Sacramento e como era chegado a tempo de seguir sua viagem, requeria aos officiaes da Câmara que lhe d’essem soldados para sua companhia, que pertencia ao regimento de que era Commandante o Coronel Christovam Pereira. O Capitão Francisco Xavier dos Reis prestou bons serviços no Sul, havendo os Curitybanos desempenhado papel de destaque. O Coronel Antonio Pereira de Vasconcellos, Commandante da Nova Colonia do Sacramento em carta que dirigiu ao Conde de Sarzedas , Govêrnador de S. Paulo, fez honrosas referências aos Curitybanos, aos quaes classificou “homens fortes, resolutos e d’estemidos”. Tendo o Capitão Francisco Antonio Xavier assassignado Antonio Ribeiro Bayam, foi condenado pela relacção da Bahia a pagar 100$000 das despezas de custa à Relacção. Em 3 e Setembro de 1743 Manoel da Silva e Souza,


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procurador das despezas da Relacção, requereu ao Capitão Vêrissimo Gomes da Silva, ouvidor geral pela lei, em Paranaguá que fosse intimado o pae criminoso, visto conshervar em seu poder os bens delle, por morte de sua mãe. Da decisão foi intimado Antonio da Silva Leme irmão do criminoso.



§8º


1-8 Balthazar Velloso e Silva, ultimo filho do Alferes Gaspar Carrasco dos Reis, do Capitulo 2º, Falleceu a 17 de Novembro de 1785 com 88 annos, casado a 20 de Abril de 1739 com Antonia de Souza Valle, natural de Paranaguá, filha do Sargento-mor Manoel do Valle Porto, o fundador de freguesia do Pilar da Graciosa, mais tarde ellevada a Villa com o nome de Antonina; fundou a sua custa uma pequena Capella sob a invocacção de nossa Senhora do Pilar de Antonina, que em 15 de Agosto de 1720, foi ellevada a categoria de Curato. Prestou rellevantes serviços e foi homem de grande valor.

Teve:

2-1 João Velloso da Silva.

2-2 Francisco Sales.

2-3 Maria Joaquina.

2-4 Bernardo José da Silva.

2-5 Matheus da Silva Leme.

2-6 Maria de Cacere.

2-7 José Nery de S. Maria.

2-8 Agostinho da Silva Valle.


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2-1 João Velloso da Silva.

2-2 Francisco de Salles, casado com Catharina Pereira.

2-3 Maria Joaquina de S. era solteira em 1775.

2-4 Bernardo José da Silva, teve um sitio na Costeira de Ponta Grossa, que vendeu ao Conego Joaquim da Costa Rezende.

2-5 Matheus da Silva Leme, nasceu em 1745 e Falleceu em 1801; foi casado com Rosa Delfina de Jesus.


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2-6 Maria de Cacere, era solteira em 1798.

2-7 José Nery de S. Maria, casada com Maria de O’ do Nascimento, natural de Paranaguá filha de Manoel Pereira da Silva, de Paranaguá e sua mulher Catharina de Souza, de Antonina. Foram proprietarios do sítio de Boa Vista.

Teve, segundo informações:

3-1 Mathilde Maria do Pilar (ou de Jesus), nascida em 1787 casada com Manoel José de Souza.

3-2 Francisco, nascido em 1790.

3-3 Manoel.

3-4 José Nery da Silva nascido em 1798.

3-5 Ignacio José Diniz, fallecido em 1849, casado com Catharina Maria Xavier , filha do Alferes Cândido Xavier dos Anjos e Catharina Maria do Espírito Santo, fallecida a 21 de Janeiro de 1838; foi casado em segundas nupcias com Maria Antonia de Jesus.

Teve do primeiro matrimonio:

4-1 Catharina Luiza da Silva.

4-2 Maria Cândida de Assunpção, casada com Joaquim José de Carvalho.

4-3 Anna Clara de Assumpção , casada com Bento José de Carvalho.

4-4 Francisco Xavier Nepomuceno ( ou Denis).

Teve do segundo matrimonio:

4-5 Thereza Maria Rosa, casada com Elisiario José da Rosa, do Rio Grande do Sul.


3-6 Iria Maria dos Prazeres, casada com o Alferes Polydoro José dos Santos, que passou, que passou a segundas nupcias com Maria Rita do Rosario, filho do Tenente Antonio dos Santos Pinheiro, que foi Escrivão da Ouvidoria Geral de Paranaguá por muitos annos, e tabelião do publico judicial e notas, natural da praça de Chaves – Setubal – e de sua mulher Anna Gonçalves Cordeiro, natural de Paranaguá.


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Neto pela parte paterna de Manoel dos Santos Chaves e de sua mulher Maria Josepha do Nascimento, naturaes de Setubal; neto pela parte matterna do Capitão Gaspar Gonçalves de Moraes, homem de grande valor e importancia, descendente das principaes familias da Capitania e de sua mulher Catharina de Senne, tambem de distincta descendência que descrevemos em outro Titulo desta obra e na Arvore genealógica de ascendentes. Teve:

4-1 Major Vicente Ferreira da Luz, nascido em 18121 em Antonina e fallecido em Curityba a 17 de Junho de 1880. Era adiantado industrial. Possuia engenho de soque de herva matte em Curityba e olaria em Bariguy. Possuindo boas propriedades a rua Commendador Araújo, que foram partilhadas por 45 contos de reis. Casou em 1844 com Florência do Amaral Luz, natural de Paranaguá filha de José Antonio do Amaral e de sua mulher Anna Hyppolita do Amaral.

Teve:

5-1 Primeiro Tenente Vicente Polydoro Ferreira, official do Exercito morto na campanha do Paraguay.

5-2 Iria Narciza Ferreira da Luz Muricy, foi casada em primeiras nupcias com o Dr. José Cândido da Silva Muricy, nascido a 31 de Dezembro de 1827, na cidade de S. Salvador da Bahia; filho Joaquim Ignacio da Silva Pereira e de sua mulher Joanna Francisco Pereira. “Excellente estudante, intelligente e bastante assíduo gozou sempre de optimo nome entre os collegas.



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“Rodeado de todo aquelle prestigio de que dispõem acadêmicos cumpridores de seus devêres, seguia elle os estudos, coroando-os com o mais feliz e merecido sucesso. “Em 1852 ia receber em retribuição ao prolongado e afanoso trabalho de seis annos, o titulo mais nobre e desejado por quem comprehende a quanto está sujeita a humanidade: - o doutor em medicina.

“Em 1852, no duodécimo mez, justamente no primeiro dia, recebia o premio a que tinha incontestável direito.

“A 8 de Novembro de 1853 chegava o distincto medico a Curityba onde fixou sua residencia. Provincia a ser installada ia o Paraná ser o theatro de seus feitos humanitarios.

“- Bem moço ainda, pois só contava 26 annos, nessa idade das illusões, nessa idade em que o coracção custa refrear a impetuosidade das paexões, já o Dr. Muricy possuia a cabeça de um sabio velho. Pugnar pela humanidade era o seu unico porem ardente desejo.

“Em 27 de Abril de 1854 o govêrno provincial nomeou-o vaccinador , começando a populacção de Curityba a vivêr debaixo da benéfica acção do mais caritactivo facultactivo que até então pisara as plagas Paranaenses.

“Alegra pela confiança que lhe depositavam, corria onde ouvia o gemido, voava onde era chamado.


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“Eil-o accudindo aos enfermos! Eil-o distribuindo socorros, cuidados e desvelos! Quem apellava para tão magnânimos sentimentos que não se afastasse servido?!...

“O merecido renome corria e a clientella augmentava a olhos vistos. Elle já não era simplesmente o medico de todos, não; era um membro de cada familia.
“- Em 1857 teve de prestar um grande serviço. Reinara em começo d’esse anno a Varíola da S. José dos Pinhais e aos seus esforços deveu-se o desapparecimento, sem que tão cruel flagello tivesse feito uma só victima.

“- Posteriormente fora Paranaguá invadida pela febre. Entre os medicos que se occuparam no tratamento dos enfermos contava-se o Dr. Muricy, que depois de vêr um colega morto e outro accometido da horrível enfermidade teve de luctar sozinho contra o formidável inimigo.

“O muito illustrado ex-presidente da Provincia, Francisco Liberato de Mattos em seu relatório apresentado por occasião da abertura da Assembléa provincial, em 7 de Janeiro de 1858 disse:

“- O Dr. Muricy foi quem mais serviu como me informou meu digno antecessor, nenhuma retribuição quis receber, contentando-se com os vencimentos que percebe como Tenente-cirurgião do corpo da guarnição fixa”.

“Desinteressado em toda a accepção


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da palavra, regeitava imdemnisações, ou por outra, enquanto o govêrno despendia grossas sommas com medicos, etc; o Dr. Muricy satisfazia-se em prestar seus socorros.

“Quatro annos havia que por tão distincto cavalheiro era habitada a cidade de Curityba. Estuda-la debaixo de todos os pontos de vista, conhecel-a a fundo, constituia uma nova e aprazivel empreza.

“A botanica era um dos ramos da sciencia maios communs ao Dr. Muricy. Della incumbido ora consultava a posição topographica do logar, o poder vegetactivo do solo, as condições atmosféricas, as mudanças bruscas de temperatura; ora embrenhado-se nas mattas, que circundavam Curityba, procurava no meio da esplendorosa vegetacção com a atilada perspicácia de profundo botanico, a herva, a casca, o lenho, a raiz, enfim, que eram agentes medicos.

“Quantas vezes não voltava elle de suas instructivas excursões satisfeito por Ter descoberto a planta util, cuja classificacção lhe cabia.

“Quantas vezes não era elle portador de desconhecidas rahizes para em casa, no socego de seu gabinete, quando a populacção descuidosa se entregasse ao descanso, estuda-la após sujeita-la ao processo necessário, descobrindo-lhes as therapeuticas propriedades?...

“Mal, porem tivêra tempo de encetar a serie de tão úteis estudos, o govêrno imperial ordenava-lhe


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marchasse para Matto Grosso em companhia de 100 praças que deviam passar esta Provincia.
“Preso ao Paraná pela estima de seus habitantes, que correspondia condignamente, tratou de ligar-se por laços ainda mais indissolúveis.

“Era então solteiro, viva estima dedicava a uma jovem, solicitar sua mão, emprazando o digno progenitor para, em breve regresso concedel-a por esposa, foi o expediente tomado.

“Corria o anno de 1858; e Curityba que havia cinco annos passara de 5ª comarca de Provincia para Capital, soffrera o impulso que é bem fácil de imaginar-se. Com o augmento progressivo da populacção crescia o affecto ao amigo do povo.

“A ordem dimanada do govêrno geral, que tolhia o povo de seu mais dedicado medico, foi encarada com maus olhos pois consideravam-na como vêrdadeiro castigo imposto.

“A 12 de Janeiro abandonava saudoso a Curityba, onde deixava amigos e sobretudo que era objeto de seus mais felizes sonhos , acompanhando na qualidade de medico de corpo de saude do exercito, as praças que se dirigiam à Matto Grosso.

“Foi para toda a grata populacção, dia de provança esse em que o Dr. Muricy dizia o adeus de despedida; a consternacção tocou à meta.



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«Se a separação do conhecido, com quem entretivemos relação, choca-nos; a de amigo e medico que ouviu-nos os gemidos, e assistiu-nos com lenitivo ás dores, deve magoar-nos immenso.

«Cumpridor severo de suas obrigações, servidor leal do Estado, era forçoso attender ao chamado superior.

«Elle seguiu, pois.

«O que dizer sobre essa jornada, sobre a longa e penosa viagem por invios e infcrnaes caminhos, senão que o Dr. Muricy fêl-a com aquella heroica resignação que tanto distinguiu os martyres pela religião do Crucificado?! . . .

«Foi nessa jornada que elle poz em pratica os seus conhecimentos scientificos, humanitarios e quiçá militares.

«No atravessar desses sertões, dominio de feras; na vadeação desses immensos fios, onde habitam as febres de máo caracter, occupava elle todas as posições.

«Aqui, era o botanico guiando o medico a valer-se da planta para salvar uma, duas, dez praças acommettidas de enfermidades.

«Ali, era o arriscado caçador, empunhando a pistola, refle ou lança para matar a audaz e aterradora féra que, impavida, chegava á sua barraca.

«Mais além, era o corajoso nautico que, vendo enorme corredeira ante a qual commandantes e commandados como que esmoreciam, a


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força de seus brados de animação conseguia fortalecer os espiritos abatidos, transpondo assim o perigo.

«Era tambem o commandante severo nas criticas occasiões; e era a viva imagem de uma resignação inexcedivel.

«Quantas vezes não teve elle um pedaço de carne para matar a fome?

Muitas, elle o dizia; porem, prasenteiro e satisfeito, não proferia um queixume siquer.

«Era um genio!

«Após continuados martyrios e soffrimentos chegou o Dr. Muricy ao ponto terminal de sua derrota.

«O estado sanitario de Miranda, Albuquerque e outros povoados nada tinha de lisongeiro; as febres intermittentes e outras molestias assolavam pouco a pouco a população. Sem ambulancia, recorria elle á natureza, e transformava a luxuriosa floresta de tão longinquas paragens em vasto laboratorio pharmaceutico.

«Já Corumbá, Miranda e Albuquerque tinham sido theatro de seus fastos humanitarios, e tanta e tal influencia angariára pelo bem feito, que não só as populações civilisadas como tambem a aborigene, dedicavam-lhe a mais decidida estima e viva sympathia.

« Fervorosas eram as preces que os Paranaenses erguiam ao Altissimo para lhes ser restituido o medico dos pobres.

« O aviso do ministerio da guerra


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de 25 de Maio d’esse mesmo anno; determinava a sua vinda ao Paraná.

“Para Matto Grosso foi uma má nova essa, recebida com natural sentimento.

“Considerado em extremo encetava elle nova viagem, deixando vêrdadeiros amigos, dentre os quaes destacava o Barão de Villa Maria, a quem tributava particular estima, sendo sobremodo correspondido.

“Ia ser restituído ao Paraná o amigo commum.

“A populacção ansiosa esperava a occasião de vêr tornado a seus lares o dedicado medico.

“A 2 de Dezembro de 1858 baixava o decreto pelo qual o govêrno imperial condecorava-o com o habito de Cavalheiro da Ordem da Rosa, em attenção aos serviços prestados durante a epidemia da febre amarella em Paranaguá.

“A 10 de Janeiro de 1860 apresentava Curityba aspecto differente do que o dominava em 1858: tudo eram galas!

“Chegara pois o Dr. Muricy; avizinhava-se o tempo de cumprir o anterior pedido, realizando assim o seu maior anhelo.

“A 22 de Setembro d’esse anno aos pés de Christo e ante uma explendida Assembléa de amigos, recebia por esposa a Exma Snra. D. Iria Ferreira da Luz, filha do Major Vicente Ferreira da Luz e da Exma Snra D. Florencia do Amaral Luz.


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“A 16 de Janeiro de 1860, foi elle nomeado medico dos presos da Capital.

“Em 2 de Dezembro do mesmo anno, foi nomeado 1º cirurgião do corpo de saude do exercito.

“Em 1863 as urnas ellegiam-no deputado provincial.

“A 15 de Fevêreiro de 1864 tomava assento no parlamento provincial na qualidade de seu legitimo representante .

“Durante os biennios de 1866 a 1867 e de 1868 a 1869 foi ainda elleito deputado, trabalhando sempre com vivo interesse pelo bem geral da Provincia e correspondendo dess’arte à expectativa do povo.

“As pugnas politicas não o roubaram às pela caridade; n´estas como naquellas trabalhava elle com invejável denodo.

“Obediente em extremo às ordens dimanadas do poder superior, desempenhava-as com zelo, de forma que até 1865 deu elle cumprimento a divêrsas commisões, já no sentido de debellar epidemias já no de exumar cadávêres, etc.

“O anno de 1866 estava reshervado para o Dr. Muricy prestar grandes serviços ao paez que já considerava-o como um dos seus mais conspícuos servidores.

“Ia ter lograr na Provincia a primeira expozição de productos; ia


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Paraná participar do certamen do trabalho e da civilisacção.

“ A 7 de Março recebia elle communicacção de ter sido nomeado membro da Commissão central da Expozição provincial, e a 15 de Abril esta Commissão nomeava-o na sua primeira reunião, membro encarregado de confeccionar o catalogo.

“Se sempre o vimos dedicado ao Paraná então, que se procurava apresenta-lo `a apreciacção extranha redobrava elle em dedicacção.

“ A expozição ficou sendo uma creacção sua, e della era não sómente o encarregado ao catalogo, mas agenciador de productos, classificador, tudo enfim!

Em boa hora fora seu nome lembrado e isso augurava se não completo e brilhante exito, ao menos resultado muito superior ao que jamais se conseguiria se á margem fosse collocado.

“ O grande conhecimento do Dr. Muricy com cidadãos e rusticos que podiam prestar valiosos serviços na consecução de productos as suas estreitas relações com moradores do centro, muito concorreram para o vêrdadeiro esplendor’ de nossa expozição.

“ Corria o mez de Maio era um vasto celleiro, enorme e bem abastecido deposito de objectos de todas as classes.

“ Era ali que linha logar a recepção e a classificacção de tudo


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quanto devia figurar na expozição. O dia era dedicado á sua clinica e ao desempenho de varias commisões a seu cargo; a noite pertencia á expozição.

“ E os trabalhos a progredirem sempre

“ A 29 de Julho abriram-se as portas do edificio, onde achavam-se expoztos os productos da Provincia á administracção e apreciacção publica.

“ A 24 de Novembro atirava elle a critica o catalogo dessa expozição, filho robusto do incessante trabalho, de inummeras vigílias e dedicacção inexcedível.

“O que disse na apresentacção dessa vêrdadeira obra prima ás commisões nacional e provincial, por si chega para approximadamente fazer-se idéa do vivo interesse que tomava pela prosperidade da nacção.

“ O catalogo da expozição provincial do Paraná figurou na Corte, em primeiro logar. E assim devia ser. As regras obshervadas na sua confecção, a optima classificacção, a minuciosidade no historico de muitos dos seus productos principaes - são recommendações à inteligência e altos conhecimentos do illustre confeccionador.

“Eis o que se encontra a folhas 50 do alludido catalogo:

“ - todos os productos expoztos pelo Dr. José Cândido da Silva Muricy podem ser vendidos, applicando-se o resultado em favor do Azylo de Invalidos da Patria”


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“ Apreciar, ainda que devidamente a enlouquecia de taes palavras, é empanar-lhes o brilho.

“ Elle expos oitenta objectos entre Os quaes conta-se uma colecção de milho de 30 qualidades e uma outra de feijão de 73 qualidades.

“A 14 de Outubro de 1866 era o Dr. Muricy elleito provedor da Santa Casa de Misericórdia da Capital, irmandade que conquanto não dormisse sob o somno da indifferença de sua direcção, entretanto não prosperava como era de desejar.

“Reorganiza-la dirigil-a afim de attingir ao ponto em que devem tocar instituições taes, foi o seu trabalho inaugural, de sorte que a pia irmandade dentro em pouco apresentava uma nova phase.

“O compromisso começou a ser obshervado à risca, não passando um anno que na época própria não tivessem logar as divêrsas cerimonias de missas, visitacção de hospital, elleição e leitura dos competentes relatorios do estado da instituição.

“N´estas expozições que aliás correm impressas, vê-se a somma de dedicacção que o Dr. Muricy votava ao assumpto.

“Doptado de um espirito altamente religioso e com o pensamento volvido para a caridade, dizia elle a seus irmãos, reunidos em Assembléa geral:

“ - A virtude é essa escada de Jacob de que nos fallam as Sagradas Escripturas


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pela qual chegamos à Divindade.

“ Embalde a história atira-nos desdenhosa a imprecacção de Brutus, depois de um revés da fortuna, como uma sabia lição de experiencia.

“Não senhores, a virtude não é um nome vão!”

“ Era assim que se expressava o moralista, quando apellava para seus irmãos, afim de prosseguirem na nobre e sublime lição.

“Com aquella convicção e ardor dos que trabalham, exclusivamente polo bem da grande familia que se denomina a humanidade; nessa mesma reunião dizia elle:

“ - Riqueza, sciencia, sentimentos e a força, tudo isso não passa de um thesouro de que o homem é simples depositário neste mundo de provanças; e é na distribuição dos bens pelos que necessitam, que a alma santifica-se e approxima-se do Creador.

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“ Não basta ao homem amar a sua familia, vae nisso, é vêrdade, um princípio de virtude, cuja negacção importaria a subvêrsão completa da sociedade, mas o exclusivismo pela familia é o egoísmo apurado que pouco aproveitaria a humanidade...”

“ A prosperidade da irmandade merecia-lhe todo o seu cuidado, e para alcança-la o Dr. Muricy não trepidava em superar toda a sorte de obstaculos.


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“ Os reaes serviços prestados à causa da pobreza ai ficaram bem patentes; e senão que digam a respeito Os que para o hospital de caridade entraram doentes e sahiram curados.; que fallem os que em paez estranho accometidos de enfermidades e vitimas de uma desgraça na perda de um membro do corpo, sem meios, acharam prompta cura e o ampara preciso debaixo daquelle modesto tecto onde se abrigava a mais sublime das virtudes.

“Ao govêrno imperial não tinham passado despercebidos os serviços de real merito prestados a todas as causas por tão patriótico cidadão e a sua magnificência não se fez esperar.

“ A 9 de Março de 1867 baixava o decreto pelo qual era nomeado Official da ordem da Rosa, em attenção aos rellevantes serviços prestados a bem integridade do império e da honra nacional.

“Anteriormente o júri geral da expozição nacional conferia-lhe quatro menções honrosas em differentes classes pelos productos expoztos em 1866 e o júri da expozição de Paris, pelo mesmo motivo conferia-lhe mais duas.

“Além de outros ia-lhe a Provincia devêr mais um importante trabalho.

“ Em 28 de Setembro d’este anno escetava elle a publicacção de uma série de artigos, nos quaes descreveu debaixo de todos Os pontos de vista.


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“ Trabalho de um incontestável valor - a noticia sobre a Provincia do Paraná - tal a sua denominacção é uma dessas obras que dão nome ao autor.

“ O Dr. Muricy tambem escrevia na hora em que seus urgentes trabalhos lhe davam tregoas, occupava-se em apreciar detidamente a Provincia da qual era filho adoptivo.

“ Em 11 de Dezembro d’esse anno recebia do govêrno geral a nomeacção de Cavalheiro da Ordem de Christo, em attenção aos serviços prestados por occasião da expozição de 1866, - insignificante retribuição a tanta dedicacção, seja dito de passagem.

“Como se não bastassem para perpetuar a memoria de um homem Os feitos que temos descripto, o Dr. Muricy, no nobre intento de só edificar sobre a virtude, cogitava o meio de mais prender-se à gratidão publica.

“A idéa da construcção de um edificio destinado ao hospital, começou a assommar-lhe ao pensamento, e torna-lo em realidade foi o objeto de seus mais dourados sonhos.

“Como consegui-lo? Onde os meios para levar ao cabo seus desejos?

“Como superar os embaraços que a pobreza da irmandade antepunha à realizacção da util idéa da construcção de um hospital?

“Conquanto difficeis de solvêr fossem


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as questões que lhe suscitavam, o Dr. Muricy não esmorecia.

“ O seu objectivo era insignificante, não queria um edificio queria Os alicerces de um edificio, e tantos esforços empregou que não sem custo a 8 de Março de 1868 collocava elle a primeira pedra de um futuro hospital.

“ O que fez as dificuldades com que lutou e venceu-as Os obstaculos que deparou e transpol-os para conseguir o desideratum, são cabais provas de seus caritactivos sentimentos e de quanta vêrdade encerra a antiga parábola - querer é poder.

“ Apoucados eram Os recursos de que dispunha a irmandade. Sem fonte de receita própria sem meios a não ser a parca subvenção da Provincia claro estava que enorme ia ser o trabalho delle.

“Pedir aqui uma esmola, solicitar dali um donactivo, obter de mais além uma dádiva, mesmo em matteriais, trabalhar enfim pela obtenção de moeda para não estacionarem as obras encetadas, era todo o seu empenho.

“geria a mão do estado o partido conshervador e o Dr. Muricy apezar de ter idéas opostas em politica, por sua consideracção e geral estima, alcançava do govêrno provincial sem a mínima relutância às necessidades da construcção a seu cargo.

“No anno de 1871 a irmandade


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de misericórdia attingia a um prospero estado e o jornal “Dezenove de Dezembro” em seu numero 1258, assim se expressava a respeito:

“ Esta pia instituição, ainda há bem poucos annos, nem siquer tinha acção para fazer parar a sua decadência. Já no seu ultimo termo da declinacção o Snr Dr. José Cândido da Silva Muricy foi elleito provedor e com a sua infatigabilidade no exercicio de actos caritactivos, com a influência de que merecidamente goza, pode tira-la da inércia e coloca-la no lisonjeiro estado que a vemos actualmente, satisfazendo os fins de sua creacção”.

“ Dedicado em extremo aos nacionais, não o era elle menos aos estrangeiros que habitam o Paraná.

“ Respeitado e considerado por todos, interessando-se vivamente pela colonia allemã, à qual prodigalizava socorros medicos, não podiam estes ficarem sem olvido; de sorte que em 3 de Junho de 1872 Sua Magestade o Imperador da Allemanha fazia baixar o decreto que o condecorava com a Ordem da Coroa de 4ª classe, pelos rellevantíssimos serviços prestados aos subditos de sua nacção.

“Devia-se realizar em 1º de Março de 1871 a expozição de Cordova, e convidada a Provincia a se fazer representar naquelle banquete da civilisacção, e transmittido

o convite ao Dr. Muricy, não tardou


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elle em trabalhar no sentido de angariar productos, de sorte que pelo catalogo publicado a 24 de Agosto, concorreu com uma terça parte dos productos que foram remetidos.

“ Em 1872, preparava-se uma nova festa do trabalho, a qual tinha de comparecer o Paraná com todas as riquezas de seu solo e as preciosidades de suas incomensuráveis florestas, sendo a 12 de Junho de 1872, elle nomeado pela presidencia para compor a Commissão incumbida de angariar productos, sendo posteriormente designado para confeccionar o catalogo.

“ A 19 de Outubro publicava elle o catalogo cuja confecção lhe coubera. Trabalho de summa importancia nada deixava a desejar.

“A colonia portuguesa dedicava elle extremo affecto, correspondido com estima e muita consideracção.

“Sua Magestade Fidelíssima, não alheio aos serviços medicos dispensados aos súditos de sua nacção por espaço de 18 annos, condecorou-o por carta real de 3 de Setembro d’esse mesmo anno de 1872 com o Habito de Cavalheiro de Christo de Portugal.

“Mais uma expozição vinha chama-lo ao trabalho - a dos Estados Unidos.

“Incumbido, ainda essa vez de confeccionar o catalogo apresentou uma obra digna da mais sevêra apreciacção.


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“Por ter já completado 20 annos de bons e inestimaveis serviços ao corpo de saude, foi nomeado a 31 de Julho de 1874 Cavalheiro da Ordem de S. Bento de Aviz distincção conferida ao official sem macula na vida militar.

“O govêrno imperial, tomando na consideracção devida o muito que fizéra o Dr. Muricy na expozição de Vienna d’Austria em 13 de Agosto de 1875 baixava o decreto nomeando-o Commendador da Imperial Ordem da Rosa.

“A 16 d’esse mesmo mez, era considerado membro correspondente da Associacção de Acclimacção sendo elleito seu Vice-presidente em 23 de Setembro.

“Em 22 de Dezembro era nomeado para fazer parte da Commissão encarregada de promovêr uma subscrição para a construcção de um templo na capital.

“Em 4 de Março de 1876 o júri geral de qualificacção conferia-lhe nada menos que uma medalha e quatro menções honrosas pelos productos expoztos em 1875 e posteriormente o júri geral de Philadelfia distinguia-o com uma medalha quatro diplomas e três certificados.

Em 1877 foi o Dr. Muricy alvo de uma viva manifestacção de apreço que se perpetuará na memoria de todos que assistiram-na.

“Um grupo de mães esposas e filhas abandonou por momentos as attribuições domésticas, para


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demonstrarem o reconhecimento da familia paranaense aos valiosissimos serviços `a causa da caridade prestados pelo benemerito medico.

“Em 1º de Abril uma Commissão da mais selleta sociedade faminil, indo busca-lo à casa, conduziram-no a um local escolhido ali das mãos de outra não menos distincta sociedade recebia elle seu retrato a oleo meio corpo e tamanho natural, ricamente emmoldurado.

“Uma intelligente e veneranda senhora, como interprete dos sentimentos de suas concidadãs entregando-lhe a offerta patenteou em phrases cheias de efusão de jubilo Os serviços prestados por tão digno facultactivo à mulher Curitybana, affeita a chontempla-lo há 23 annos como emissário da Providência para ampara-los nos doloridos transes da vida.

“Depois, desdobrando à curiosidade do auditório as differentes e melindrosas phases da vida da mulher, apresentou o Dr. Muricy como o anjo suavisador de todas as dores que acabrunhavam-na; terminando por lembrar Os valiosos serviços prestados à civilisacção nas differentes expozições e à humanidade na construcção do edificio do hospital.

“Agradecendo comovidíssimo as expressões dimanadas dos lábios de uma senhora, elle disse:

“... que não recebia taes demonstrações senão como filhas d’esse affecto e d’esse enthusiasmo,


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que caracterizavam a alma da mulher, em tudo o que há de nobre e generoso. Que ante elas curvava-se vexado aos impulsos do mais sinceros reconhecimento. Que mães e esposas extremosas, davam-lhe uma prova solemne do angélico coracção com que aquilatavam seus merecimentos; que desejava correspond’essem a apreciacção que dellas faziam....”

“...que quanto aos serviços medicos prestados fora demais benignas na apreciacção, porquanto tinha cumprido nos estreitos laços de suas forças o devêr sagrado que prende-nos a nossos semelhantes e que tal devêr era tão grato que o próprio prazer de cumpri-lo é uma sobeja recompensa...”

“prosseguindo ao referir-se as expozições, disse:

“Que paranaense de coracção, não podia ser indifferente ao desenvolvimento da Provincia e que por simples devêr imitou a seus companheiros de Commissão”.

“Tratando do hospital cuja fundacção lhe coube, não negou ser um grande serviço à causa da humanidade; mas dizia elle, devia ser atribuido antes a philantropia dos fieis, ao zelo dos poderes Publicos provinciaes, que auxiliava a instituição do que a si simples provedor de uma pobre irmandade”.

“Terminava aceitando o retrato, não como um tributo as seu merecimento, mas como recordacção da generosidade das senhoras Curitybanas.



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